Sabemos que quando surge qualquer surto de novas doenças pelo mundo, existe sempre alguém que contraiu o vírus pela primeira vez antes de contaminar outras pessoas.

Para esta pessoa é dado o nome de paciente zero, ou seja, o paciente inicial em uma população que está sobre investigação epidemiológica. O paciente zero pode indicar a fonte de uma nova doença, uma eventual propagação e o que detém o reservatório da doença entre os surtos.



No caso da AIDS, o paciente zero, segundo o livro ‘And the Band Played On’ (E a Vida Continua), do jornalista Randy Shilts, teria sido o comissário de bordo Gaëtan Dugas, de origem franco-canadense, no ano de 1982. Ele teria disseminado o vírus nas inúmeras boates e saunas gays que frequentava na Califórnia, Estados Unidos.

Franco-canadense Gaëtan Dugas / Foto: Divulgação

Porém, Dugas pode estar levando esse título erroneamente, já que o caso mais antigo posteriormente identificado, data de 1959. O vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana) foi encontrado em uma amostra sanguínea de um homem africano da etnia bantu, que viveu em Leopoldville, hoje Kinshasa, na República Democrática do Congo. A descoberta foi publicada em fevereiro de 1998 na revista americana Nature.

Mas quem foi o paciente zero da Covid-19, o novo coronavírus?

Para descobrir e responder a esta pergunta, é preciso traçar o histórico de infecções do vírus. E ao que tudo indica, autoridades chinesas conseguiram fazer isso, até chegar em um homem de 55 anos que mora na província de Hubei, cuja capital é Wuhan e que não teve sua identidade revelada.

Wuhan / Foto: Getty Images

De acordo com dados do governo chinês concedidos ao jornal local South China Morning Post, os casos da infecção podem ser rastreados até o dia 17 de novembro de 2019.

Autoridades da China identificaram pelo menos 266 pessoas infectadas no ano passado, sendo que todas já passaram por vigilância médica. Traçando o histórico de contatos e contaminação dessas pessoas, os profissionais da saúde acreditam este homem, seja o paciente zero da Covid-19.

De acordo com o noticiário, a partir dessa data, entre um e cinco novos casos de infecção pelo vírus foram notificados por dia. Em 15 de dezembro, quase um mês após o primeiro caso da doença, o número total de infecções já era de 27. Desde então o número de pessoas infectadas cresce a cada dia, o que levou a ONU a declarar, no dia 13 de fevereiro de 2020, o status de pandemia.

Desde então muitas hipóteses sobre o surgimento da doença foram levantadas, e muitos especialistas apontaram o consumo de alguns animais vendidos no mercado de Wuhan, como pangolins, serpentes e morcegos como o que causou o surgimento da doença. Entretanto, por mais que não se saiba exatamente a origem do coronavírus, descobrir quem foi a primeira pessoa a contrair a Covid-19 é essencial.

Segundo os especialistas, saber quem foi o paciente zero ajudará na compreensão de como a doença se espalhou pelo mundo, além de auxiliar os profissionais da saúde a determinarem como os casos não detectados e não documentados contribuíram para sua transmissão. Isso melhorará o entendimento do tamanho dessa ameaça e pode até trazer indícios sobre formas de tratamento para a doença.